18Outubro2017

Ceia do Senhor

O ensino de Paulo a respeito da celebração da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.17-30) revela um modo e espírito errados mantidos pela igreja em Corinto. Todos nós devemos atentar para que não estejamos caindo nos mesmos erros. Embora possamos ter situações diferentes, o erro cometido pode ser o mesmo.

Em primeiro lugar, devemos atentar para o fato de que "o que é um corpo deve ser um corpo"! O ajuntamento desse corpo, que é a igreja, deve ser para melhor (v 17). Quando celebrada no modo ou em um espírito errado, esse ajuntamento nunca será "para melhor". Quando o apóstolo fala isso, está se referindo à necessidade de que, quando a igreja se reúne, isso seja feito para edificação do corpo e para que Cristo seja ainda mais glorificado. O que a igreja de Corinto fazia sequer era visto por Paulo como a celebração original da Ceia, que foi instituída pelo Senhor (v. 20 e 21). O modo era errado! Não era celebrado PELA IGREJA (corpo de Cristo) como deveria ser, mas sim por grupos isolados. Era uma "refeição" sem o discernimento e reverência necessários.  O espírito era errado! Não havia comunhão do corpo, como também não havia a compreensão do seu significado e importância.

Eles não entendiam que a Ceia "é do Senhor". Como ordenança Dele, ela deve ser o que "recebemos do Senhor" (v. 23). Nada mais, nada menos que isso. Jesus deixou a ordenança à Sua igreja, uma igreja local e visível, e esta deve cumpri-la conforme o Senhor ordenou. Quem restringe os participantes é o próprio Senhor da igreja e da Ceia, que é Jesus. De fato, Ele mesmo a restringiu apenas a seus discípulos quando a estabeleceu. Isso não quer dizer que tenha ensinado que ela fosse celebrada por grupos isolados, mas é interessante observar que, embora existissem outros crentes, Ele só a celebrou com aqueles que compunham Sua igreja (os onze apóstolos presentes). Devemos entender que Jesus a restringiu a esses talvez para responsabilizá-los pelo ensino dela (entre todas as outras coisas, é claro), uma vez que os apóstolos foram colocados primeiro na igreja (1 Cor. 12.28) com essa finalidade.

Jesus disse que a celebrássemos "em memória" Dele, e Paulo acrescenta que isto é a fim de "anunciar a morte do Senhor até que venha". Ao celebrarmos a Ceia do Senhor estamos contando o que Ele fez. Estamos falando de Sua entrega total de Amor por um povo pecador, que somos nós. Consideremos que, por muitas vezes, pessoas ímpias estão participando dessa ordenança. Estão contando uma mentira ao anunciar que "Cristo morreu por seus pecados". Eles nem sequer creem de fato nisso. Outras tantas vezes, crentes estão friamente "tomando a ceia" como se faz qualquer outra coisa corriqueira, sem dar importância ao que está dizendo com aquilo. Não é à toa que Paulo verifica o peso da mão de Deus sobre irmãos naquela igreja. O que eles faziam era exatamente isso e parece que muitos crentes de hoje não aprenderam a lição das escrituras.

Nós podemos cantar louvores a Deus em nossa casa, mas nada se compara a quando o povo de Deus se reúne para isso. Podemos aprender muito de Deus ao meditarmos em Sua Palavra, em nossos lares, mas não se compara a quando nos reunimos para ouvir o que o Senhor tem a nos dizer em Sua Igreja. Podemos falar com Deus em nossas orações particulares, com grande proveito, mas nada se compara a quando o povo de Deus se une e se move em orações e súplicas ao Senhor. Da mesma forma, podemos testificar diariamente através de nossa pregação e testemunho pessoal ou mesmo quando temos a oportunidade de pregar a Palavra, em um culto público, de que Cristo morreu por nós. Mas nada se compara a quando a igreja o anuncia coletivamente, através da própria ordenança de Cristo. Ali estamos todos juntos, afirmando coletivamente que Jesus deu Sua vida por nós e por cada pessoa que está ao nosso lado, fazendo-nos irmãos Nele e assim filhos de Deus por Sua mediação e Sacrifício. Pelo sangue do Filho de Deus é que nós (a igreja, o corpo) fomos resgatados (At. 20.28).

Deste modo, todo o cuidado e zelo em nossa participação na Ceia do Senhor deve ser aplicado. Não somente na forma, mas que no espírito correto possamos participar dela com o devido discernimento, de modo que a igreja seja edificada e também o Senhor seja ainda mais glorificado.

http://www.boasnovas.org.br